Enfermeiro funciona a café
domingo, 22 de fevereiro de 2026
Assédio moral institucional: obstrução deliberada de competências
Quando um profissional é sistematicamente afastado da sua área de especialização e remetido para tarefas residuais, não estamos apenas perante uma má gestão de recursos humanos. Estamos perante um padrão potencialmente configurável como **assédio moral organizacional**.
A obstrução deliberada de competências não se manifesta em insultos ou confrontos diretos. É mais subtil:
* exclusão de decisões técnicas para as quais o profissional está habilitado;
* retirada injustificada de funções nucleares;
* redistribuição estratégica de responsabilidades para esvaziar a sua autonomia;
* confinamento a tarefas administrativas ou operacionais sem correspondência com o seu perfil técnico.
Este tipo de prática produz três efeitos previsíveis:
1. **Desqualificação simbólica** – O profissional deixa de ser reconhecido pelo seu saber especializado.
2. **Erosão identitária** – A identidade profissional constrói-se pela prática; ao retirar-se o campo de ação, fragiliza-se o sentido de competência.
3. **Normalização da mediocridade institucional** – A organização perde capacidade técnica ao subutilizar recursos qualificados. |
O problema central não é apenas jurídico; é ético e estrutural. Quando especialistas são afastados das suas áreas de atuação, a instituição transmite uma mensagem: a competência não é um valor estratégico, é contingente ao jogo de poder interno.
A questão que se impõe é desconfortável:
* Trata-se de incompetência na gestão ou de estratégia deliberada de controlo?
* Existe receio da autonomia técnica do especialista?
* A redistribuição de funções responde a critérios clínicos/organizacionais ou a dinâmicas pessoais?
A obstrução de competências é uma forma de violência silenciosa. Não deixa marcas visíveis, mas corrói legitimidade institucional e segurança dos cuidados. E, paradoxalmente, é muitas vezes racionalizada como “ajuste organizacional”.
Se a especialização é reconhecida formalmente, mas neutralizada na prática, há uma contradição estrutural. Uma organização que certifica competências e depois as inutiliza está a comprometer a sua própria coerência.
A pergunta decisiva não é apenas “há assédio?”, mas: **quem ganha com a desativação da competência especializada?**
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Se dum lado chove do outro troveja...
Que é como quem diz "venha o Diabo e escolha"
Ora bem passo a explicar.
Durante muito muito tempo assistimos mais ou menos inertes às patacoadas sindicais que por sabe lá qual o motivo (mas desconfio), cada vez que reuniam com o ministério a nossa situação piorava. Teimaram nas teorias do PCP e lixaram-nos com F grande... (claro que haverá muitos colegas que não concordam, mas esta é a minha opinião, vale o que vale).
Hoje qual não é o meu espanto, e depois de finalmente a comunicação social começar a falar dos problemas de enfermagem (ALELUIA,gostava de saber que bicho lhes mordeu, mas a cavalo dado não se olha o dente), vem o Sr Ministro defender o indefensável com uma patacoada.
Bem apenas posso falar por mim, e propositadamente vou deixar de fora da minha analise o que observo nos colegas com que trabalho e com quem troco opiniões nos poucos períodos de pausa, acusa o Sr Ministro que a exaustão dos profissionais de enfermagem se deve à acumulação de funções no privado e social. Ora bem se os enfermeiros fossem remunerados convenientemente se calhar não precisavam de duplo em prego para sobreviver, porem não é este o meu caso apenas trabalho no sector publico e cada vez recebo menos. O que muita gente não percebe ou finge não querer perceber é que trabalhar por turnos, de noite e aos fins de semana é muito penoso e desgastante, até à algum tempo atrás este agravamento da penosidade era compensado no ordenado, agora depois destas contenções cortaram para metade as horas de compensação. Neste momento depois da redução trabalho aos fins de semana, feriados, noites e no final do mês nem o ordenado base levo para casa.
Explique-me Sr Ministro qual a minha motivação para trabalhar por turnos e diga-me se trabalhar assim sem alternativa de mudar não dá exaustão psicológica?
Enfermeiro movido a café.
domingo, 12 de maio de 2013
Dia do Enfermeiro- a minha reflexão
12 de Maio Dia Internacional do Enfermeiro
Em todas as comemorações e aniversários algumas pessoas têm tendência para fazerem retrospectivas e perspectivarem o novo ano que agora se inicia, eu sou uma dessas pessoas.
Ao assinalarmos mais um dia do enfermeiro não posso deixar de pensar nos ataques que sofremos neste ultimo ano, mais uma vez fomos marginalizados dentro do SNS, mais uma vez fomos tratados como actores de segunda categoria que apenas prestam vassalagem aos protagonistas principais. Vimos o pagamento das horas prestadas em serviço nocturno e fins de semana reduzidos a metade, em nome de uma contensão económica que lesa sempre os mesmos, enquanto outros profissionais do SNS que alem de receberem horas extra em barda ainda vêem o salário valorizado em 800€ por mais 5 horas semanais (que na maioria dos casos não cumprem, mas isso é outra historia).
As organizações de enfermagem, nomeadamente os sindicatos têm-se mantido muito ocupados em defesa dos CIT (e bem) todavia têm-se esquecido dos outros CTFP com inúmeros anos de serviço que há mais de uma década não progridem na carreira e que ainda não foram integrados na nova carreira (por muito má que seja) e que em nada se viram valorizados, têm-se esquecidos dos muitos colegas que com sacrifício pessoal e monetário foram adquirir novas competências, são reconhecidos como especialistas pela OE mas que não constam na nova carreira. Se calhar seria de colocar estes itens na agenda para que no próximo 12 de Maio possamos ter algo que comemorar.
Contudo não seria justo se não referi-se as preocupações sobre estas matérias do SIPE e o documento que enviaram ao MS bem como a campanha publicitaria da OE e que na minha modesta opinião esta muito bem elaborada, finalmente se percebeu que temos que vender a nossa imagem e que disso depende o modo como a sociedade nos vê. Agora temos todos nós nos nossos locais de trabalho concluirmos esta campanha e demonstrarmos aos nossos utentes/clientes e respectivas famílias a nossa impressibilidade no SNS.
Em todas as comemorações e aniversários algumas pessoas têm tendência para fazerem retrospectivas e perspectivarem o novo ano que agora se inicia, eu sou uma dessas pessoas.
Ao assinalarmos mais um dia do enfermeiro não posso deixar de pensar nos ataques que sofremos neste ultimo ano, mais uma vez fomos marginalizados dentro do SNS, mais uma vez fomos tratados como actores de segunda categoria que apenas prestam vassalagem aos protagonistas principais. Vimos o pagamento das horas prestadas em serviço nocturno e fins de semana reduzidos a metade, em nome de uma contensão económica que lesa sempre os mesmos, enquanto outros profissionais do SNS que alem de receberem horas extra em barda ainda vêem o salário valorizado em 800€ por mais 5 horas semanais (que na maioria dos casos não cumprem, mas isso é outra historia).
As organizações de enfermagem, nomeadamente os sindicatos têm-se mantido muito ocupados em defesa dos CIT (e bem) todavia têm-se esquecido dos outros CTFP com inúmeros anos de serviço que há mais de uma década não progridem na carreira e que ainda não foram integrados na nova carreira (por muito má que seja) e que em nada se viram valorizados, têm-se esquecidos dos muitos colegas que com sacrifício pessoal e monetário foram adquirir novas competências, são reconhecidos como especialistas pela OE mas que não constam na nova carreira. Se calhar seria de colocar estes itens na agenda para que no próximo 12 de Maio possamos ter algo que comemorar.
Contudo não seria justo se não referi-se as preocupações sobre estas matérias do SIPE e o documento que enviaram ao MS bem como a campanha publicitaria da OE e que na minha modesta opinião esta muito bem elaborada, finalmente se percebeu que temos que vender a nossa imagem e que disso depende o modo como a sociedade nos vê. Agora temos todos nós nos nossos locais de trabalho concluirmos esta campanha e demonstrarmos aos nossos utentes/clientes e respectivas famílias a nossa impressibilidade no SNS.
domingo, 28 de abril de 2013
Carta aberta aos Enfermeiros
Caros colegas
Estou farto de ver nas redes sociais as publicações lamecha que os colegas publicam.
Como já defendi muitas vezes a conotação da profissão com valores de comiseração e compaixão para com os doentes só dimuinuiem o valor social da enfermagem. Quem ajuda é voluntário e não "merece" remuneração, a ajuda é por amor, pena ou compaixão!
Claro que na enfermagem existe a relação de ajuda para com o utente / cliente, mas esta relação deve ser profissional e de busca da maior autonomia possível do utente / cliente.
Caros colegas por favor deixem-se de visões piegas da profissão e afirmem-se como profissionais sérios e dignos de reconhecimento.
Atenciosamente
Enfermeiro movido as café
Estou farto de ver nas redes sociais as publicações lamecha que os colegas publicam.
Como já defendi muitas vezes a conotação da profissão com valores de comiseração e compaixão para com os doentes só dimuinuiem o valor social da enfermagem. Quem ajuda é voluntário e não "merece" remuneração, a ajuda é por amor, pena ou compaixão!
Claro que na enfermagem existe a relação de ajuda para com o utente / cliente, mas esta relação deve ser profissional e de busca da maior autonomia possível do utente / cliente.
Caros colegas por favor deixem-se de visões piegas da profissão e afirmem-se como profissionais sérios e dignos de reconhecimento.
Atenciosamente
Enfermeiro movido as café
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Os meus desejos para o novo ano
Desejo que o novo ano traga maior reconhecimento profissional mpara todos os enfermeiros.
Desejo que todos os enfermeiros se afirmem nos seus locais de trabalho e nunca aceite que os tratem com subalternos.
Desejo que os enfermeiros sejam leais entre os seus pares, que nenhum enfermeiro acuse um colega apenas para ficar nas boas graças e ser promovido.
Desejo trabalhar na minha profissão e ser remunerado como mereço.
Desejo que os sindicatos sejam realmente organismos de representação dos enfermeiros e que lutem apenas pelos seus interesses.
Se uma parte destes desejos se cumprirem certamente que teremos um 2013 bom para os enfermeiros!
Desejo que todos os enfermeiros se afirmem nos seus locais de trabalho e nunca aceite que os tratem com subalternos.
Desejo que os enfermeiros sejam leais entre os seus pares, que nenhum enfermeiro acuse um colega apenas para ficar nas boas graças e ser promovido.
Desejo trabalhar na minha profissão e ser remunerado como mereço.
Desejo que os sindicatos sejam realmente organismos de representação dos enfermeiros e que lutem apenas pelos seus interesses.
Se uma parte destes desejos se cumprirem certamente que teremos um 2013 bom para os enfermeiros!
Pela dignificação da profissão sempre
Feliz Ano Novo
domingo, 23 de dezembro de 2012
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Ódio viral
Quando por mero ódio viral tentam diminuir a minha profissão terão em mim um opositor feroz e que nunca dará tréguas.
Lutarei com todos os meios pela dignidade da minha profissão, e quando digo todos os meios são mesmo todos.
Quanto mais baixos forem os golpes, mais elevada será a resposta.
Estarei sempre no patamar superior, e podem estar seguros que continuarão a olhar de baixo.
Lutarei com todos os meios pela dignidade da minha profissão, e quando digo todos os meios são mesmo todos.
Quanto mais baixos forem os golpes, mais elevada será a resposta.
Estarei sempre no patamar superior, e podem estar seguros que continuarão a olhar de baixo.
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