sábado, 23 de junho de 2012

Podemos ser solução



Nos últimos dois dias estive num encontro de enfermeiros da minha especialidade (reabilitação) cujo mote era a efectividade dos cuidados.

Em muitas das intervenções a que assisti os colegas conseguiram demonstrar ganhos significativos em saúde mas também conseguiram demonstrar ganhos económicos para o SNS resultantes da intervenção direta dos enfermeiros.

Nos tempos que correm em que o dinheiro disponível para o sector escasseia, os enfermeiros foram capazes de demonstrar que são parte da solução e podem ajudar a que a racionalizar o pouco orçamento existente.

Pena é que nunca o poder politico tenha reparado em tal facto e continue a manter teorias medicocentricas no SNS que se têm revelado despesistas.

Os enfermeiros com intervenções de proximidade com as populações necessitadas foram capazes de diminuir nos doentes assistidos o nº de recorrências aos serviços de urgência bem como o nº de dias de internamento apenas e só porque os utentes beneficiaram de cuidados de reabilitação.

Caros colegas nos tempos que correm temos que ser capazes de demonstrar ao Ministro da Saúde que as intervenções de enfermagem poupam dinheiro. Os colegas no congresso conseguiram, temos que seguir-lhes o exemplo e publicar dados que corroborem esta poupança. 

A enfermagem tem obrigatoriamente de se tornar visível, e isso só se consegue com a produção de investigação, claro que a desmotivação é muita mas temos que conseguir superá-la se queremos melhorias no futuro. Talvez assim se recupere das inúmeras asneiras cometidas nos últimos anos e especialmente da ultima negociação de carreira que nada beneficiou a classe, antes pelo contrário foi um retrocesso brutal.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Para pensar

Este texto / reflexão foi publicado pela colega Marisa, a mim fez-me pensar...

Os enfermeiros quando fazem greve, fazem porque os querem estagnar. Quando se fala de greves normalmente associam-se apenas a aumentos salariais, não sendo o caso dos enfermeiros que vêm a sua profissão não ser reconhecida pela qualidade dos serviços prestados e com riscos de perda da sua autonomia. 


A enfermagem é uma das profissões mais relevantes na prestação dos cuidados de saúde pela efectivação diária dos seus múltiplos e diferenciados desempenhos, em todas as instituições de saúde (e só quem necessitou alguma vez na sua vida de cuidados diferenciados de enfermagem consegue dar a devida relevância ao que acabei de afirmar), temos assistido ao longo da última década a uma tentativa progressiva mas intencional, por parte de variados governos no "Poder", para a diminuição do prestígio destes profissionais, que se revelam dos mais qualificados e preparados a nível internacional. 
Os enfermeiros sentem-se traídos no enorme esforço em tempo e dinheiro que fizeram ao longo dos anos, traídos na falta de reconhecimento profissional por parte dos órgãos de poder político (e não só), pelo não reconhecimento da sua actividade dentro das instituições, traídos na natural necessidade de ambicionarem melhorar os seus padrões de vida e em muitos casos traídos pelos seus próprios pares.


Sabendo que nos últimos anos os profissionais de enfermagem, em geral, foram capazes de fazer um enorme esforço de adaptação aos padrões de exigência de uma sociedade moderna, exigia-se por parte dos órgãos de poder mais consideração e atenção aos problemas desta relevante profissão. Todos os dias ouvimos notáveis deste país a apelar, e bem, à necessidade de formação académica e profissional dos trabalhadores portugueses. Todos os dias os ouvimos falar sobre a importância do "know-how" para os trabalhadores e para as empresas.
Ninguém hoje duvida que uma das profissões que mais esforço fez nos últimos 15 anos para aumentar os seus níveis de formação académica e, consequentemente, aumentar as suas competências profissionais foram os enfermeiros. 
Nos meios académicos sabe-se que é extremamente vulgar encontrar alunos licenciados em enfermagem nos chamados 2ª e 3º ciclos de estudos superiores. O que revela o profundo interesse destes profissionais na melhoria da sua formação científica e profissional. Como se pode compreender que os enfermeiros portugueses sejam os únicos profissionais que não são remunerados de acordo com o seu nível académico? 

Alguém consegue responder a esta questão de forma lógica? E, sendo muitos deles Mestres e Doutorados nas melhores Universidades do País e em várias áreas da saúde, como se justifica não fazerem parte dos órgãos de decisão? 
O preconceito histórico continua enraizado na cultura portuguesa face a esta profissão. Arredados dos centros de decisão e esquecidos pelos media para discutir temas para os quais estão superiormente qualificados, As culturas institucionais de poder, por mero preconceito histórico, continuam de forma sustentada e intencional a querer subjugar estes profissionais sem se terem dado conta que tudo mudou e continuará a mudar à sua volta e os orgãos de informação continuam na atitude de os ignorar... 


Têm que conseguir destruir os seus "mitos" relativamente a esta profissão sob pena de ser continuar a perder uma importante base de trabalho no sector da saúde, pois os enfermeiros são profissionais de nível superior da área da saúde, com aptências para exercerem cuidados de qualidade e cargos de responsabilidade na promoção, prevenção e na recuperação da saúde dos indivíduos, dentro de sua comunidade e são pedra essencial e fulcral em qualquer sistema de saúde, porque eles são sempre os profissionais presentes, que mesmo estando em greve continuam a prestar os cuidados mínimos para que não haja prejuízo efectivo para os doentes. 

Pensem nisso

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Finalmente

Finalmente alguém tomou consciência que a oferta formativa em enfermagem é excessiva.
A OE reuniu com o Ministro da Educação, expondo as suas preocupações na matéria.
Em período de contenção financeira não nos podemos dar ao luxo de formar profissionais para depois irem trabalhar no estrangeiro, pois o que as universidades recebem de propinas não chega nem perto do custo por aluno formado e a diferença sai do erário publico.
Esperemos agora que da parte do Governo haja acções em consonância e se reduza o nº a de alunos nos próximos anos.

Um livro interessante.


Link para Download : http://flyingpublisher.com/0007.php

terça-feira, 5 de junho de 2012

Negocios e negociatas


Ontem fui contactado por uma empresa de contratação de enfermeiros.
Então a dita empresa vai assegurar as transferências hospitalares do hospital onde trabalho.
Um dos critérios de admissão ao trabalho era possuir o curso de suporte avançado de vida (nunca são pobres a pedir).
Depois ficaria de prevenção para qualquer transporte...

Bom com estas premissas contraponho eu: - prevenção? então e como é paga a prevenção?
Resposta da empresa: Não só é pago as horas de acompanhamento efectivo de doentes.
Bem - respondo eu - isso é completamente inadmissível, isso não são propostas honestas para qualquer classe profissional, quanto mais com a responsabilidade que é andar com doentes na estrada.
Espero que nenhum enfermeiro consciente e responsável aceite tais condições.


Mas esta é apenas a primeira parte do problema, claro que vai haver quem aceite as condições da dita empresa. Passamos tempos difíceis. Mas eu desculpem lá não vendo o meu trabalho por "tuta e meia", já me bastou que o vendessem por mim ao estado. Agora andar a trabalhar por migalhas a encher os "bandulhos" de empresas privadas. 

A segunda parte do problema é saber se ao hospital fica efectivamente mais barato ter uma empresa para tal fim. Não será apenas uma transferência mais dispendiosa? 
Reduz-se a despesa com as horas extraordinárias dos enfermeiros, mas será que essa redução é suficiente para pagar serviços em outsoursing? 

Vou tentar descobrir!

domingo, 3 de junho de 2012

Ordem dos Médicos quer suspender prescrição por princípio activo - Sociedade - PUBLICO.PT

Claro que no melhor interesse dos doentes...
As benesses dos laboratórios vão transferir-se dos médicos para os farmacêuticos.
Mas atenção que as farmácias apenas são obrigadas a ter e stock 3 marcas diferentes de cada DCI, oq ue quer dizer que nem sempre terão as mais baratas. Agora para comprar os medicamentos temos que fazer prospecção de mercado e saber qual a farmácia que vende mais barato.

Ordem dos Médicos quer suspender prescrição por princípio activo - Sociedade - PUBLICO.PT

Aprendam com as formigas...